Diário de um O.G.R.

  • 04/10/2019

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04/10/2019

Diário de um O.G.R.

04 de outubro de 2019, “A economia circular, as eleições legislativas, nós e os outros”

Não há planeta B; O planeta vai atingir o ponto sem retorno; Sê jovem, sê “cool”, “be vegan”; O capitalismo não é verde; empreendedorismo verde; …

Até eu sucumbi aos “slogans”. Comecei a comer bolachas de cenoura com beterraba, colei um “post it” na porta do frigorífico a dizer “abolir a carne de vaca da ementa”, fui saber o preço de uma bicicleta, comprei uma “T-shirt” a dizer “os capitalistas não são vegans”,  e  passei a cumprimentar com mais efusividade o cão do meu vizinho, o Lucas.

Confesso-vos que me estava a sentir muitíssimo feliz. Finalmente estava a fazer algo pelo planeta A. Estava a ser jovem e “cool” e, com um bocado de sorte, com a dieta saudável que estava a fazer, ainda poderia vir a vestir umas calças de ganga e uma camisa de xadrez, confecionadas em material 100% reciclável, que vira na Vogue italiana do mês de agosto.

Este estado de graça foi abruptamente interrompido pelo Eurostat que, sem dó nem piedade, publica as estatísticas sobre circularidade. Portugal é o 4 º pior país da União Europeia em termos de circularidade. A Holanda vai à frente do pelotão.

Com uma bolacha, desta vez de espinafres, entalada na garganta, corri para o computador para saber as últimas da Europa.

Benelux, organização económica constituída pela Holanda, Bélgica e Luxemburgo, propõe-se fazer um acordo de harmonização e simplificação administrativa, que visa diminuir substancialmente a burocracia associada às operações de gestão de resíduos, nomeadamente ao seu transporte, com o reconhecimento mútuo das plataformas eletrónicas que identifiquem, apenas, a origem do resíduo, quem o vai recolher e qual o seu destino. Estas regras serão precedidas de um registo simplificado das empresas, que as classificará automaticamente para atuarem no setor.

Para combater a crise que assola a reciclagem de papel e cartão, a Benelux pretende impor regras aos produtores, quando da conceção do produto, que conduzam à classificação do resíduo gerado como matéria-prima secundária. Chama-se a esta situação, “eco-design” para a circularidade.

Fiquei cansada. Mas estes tipos têm que ser sempre os melhores? Fui ao Google e escrevi, “programas dos partidos políticos portugueses, ambiente e clima”. Voltei a ver as vacas, o planeta B, o capitalismo não verde e o “NÃO” à exploração do lítio que apesar de tudo pode ser sim, depende.

Lembrei-me então de outro “slogan”: “Nenhuma abundância de recursos resiste ao impacto de uma exploração sem retorno”.

Vou aproveitar para fazer uma sugestão ao próximo governo português. Vamos defender o planeta. Vamos aumentar a circularidade. Nós, os OGR, sabemos fazer isso. Por favor, deixem-nos trabalhar.

Um abraço

UM COMENTÁRIO

  • Paula diz:

    Parabéns,muito criativo, que a mensagem chegue ao actual governo, para que percebam a importância das OGR, em Portugal.
    Paula

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