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Diário de um O.G.R.

29 de outubro de 2021, O ÚLTIMO DIÁRIO DE UM OGR?

Para os OGR estarei sempre presente. Basta que estalem os dedos e eu estarei lá! Não se trata de um adeus. Não o conseguiria fazer.

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No próximo dia 9 de novembro a APOGER faz 14 anos. Na altura da sua constituição ainda não tinha cabelos brancos e possuía uma vontade férrea de ver reconhecida a importância de uma atividade que se revela cada vez mais importante, a gestão de resíduos e reciclagem.

A presidência da APOGER foi, e será sempre, independentemente do que vier a seguir, o cargo mais importante da minha vida, aquele de que sempre me orgulharei.

Confesso-vos que tenho saudades dos tempos em que me sentava convosco nas vossas empresas e em que bebia da vossa resiliência e espírito de sobrevivência, quando deparávamos com os problemas e barreiras à legalização da vossa atividade pelo Estado. Sim, tenho saudades, pela proximidade e familiaridade desses momentos que me permitiram perceber quão importantes seriam para a economia portuguesa, para a empregabilidade, para a evolução tecnológica, para a preservação dos recursos naturais e do ambiente.

Não me enganei. São OS MAIS IMPORTANTES. Na realidade, apesar de todos os outros “players” que foram chegando e entremeando, controlando, aproveitando o percurso inverso da valorização dos resíduos, os SUCATEIROS, sim os SUCATEIROS, foram os primeiros grandes recicladores. Foram a origem. Como refere o meu amigo Psedónio da Silva, “inovar é ver primeiro”. Os sucateiros viram primeiro.

Como grandes investidores intensivos, merecem uma atenção especial do Estado. Como grandes contribuintes e empregadores, merecem uma atenção especial do Estado. Como fatores de desenvolvimento das regiões do interior, merecem uma atenção especial do Estado. Como maiores responsáveis pelo sucesso da economia circular, merecem uma atenção especial do Estado.

Os sucateiros, gosto da palavra, transformaram-se em Operadores de Gestão de Resíduos e Recicladores, cumulados de exigências técnicas e legais, de inspeções e de contraordenações, de submissões a meia dúzia de “pseudo” responsáveis pelo atingimento das metas de reciclagem. Os OGR evoluíram, o Estado português ainda legisla como se estivesse em 1997. Com os mesmos “tics” de autoritarismo e de controlo retrógrado sobre aqueles que, bem olhados, poderão ser os maiores impulsionadores da economia e do futuro da humanidade, no que concerne à proteção dos recursos naturais.

Sinto que os objetivos, a que me propus para o setor, ainda estão por atingir e isso dói-me. Resta pensarmos juntos o que fazer no futuro. Defendo a mudança e a renovação. É importante que um grande número de associados esteja presente na assembleia geral da APOGER no próximo dia 12 de novembro, no hotel Lezíria Parque em Vila Franca de Xira. Estejam presentes.

Tenho um agradecimento especial para todos os associados da APOGER. Obrigada pela liberdade que me deram para ser “eu”. Para os OGR, para todos vós, estarei sempre presente. Basta que estalem os dedos e eu estarei lá!

Um abraço

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