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Diário de um O.G.R.

10 de janeiro de 2020, “A TABELA VERDADE”

GESTORES PÚBLICOS FRAQUÍSSIMOS DÃO ORIGEM A EMPRESÁRIOS PRIVADOS FRAQUÍSSIMOS, LOGO A FRAQUÍSSIMO DESEMPENHO DA ECONOMIA

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Na passada semana, nós, os empresários portugueses, fomos brindados com a classificação de “empresários de fraquíssima qualidade”, por Sua Excelência o Senhor Ministro Santos Silva.

Pois então, Senhor Ministro, até acho que V. Exa tem razão. Nós não ficamos nada ofendidos, não precisa de pedir-nos desculpa, antes pelo contrário. Sabemos que Vossa Excelência é uma mente brilhante que sabe muito de economia e, consequentemente, de lógica matemática. Ao fazer esta afirmação sabemos exatamente o que Vossa Excelência pretende dizer. Utiliza uma das Tabelas Verdade das regras de inferência, isto é, a propriedade transitiva da matemática, o chamado silogismo hipotético SH. Para quem não gosta de matemática, eu explico de forma simples. Este silogismo diz o seguinte: Se A implica B e B implica C, então A implica C através de B.

Ora, vamos então trocar isto por miúdos:

Se os Gestores Públicos são fraquíssimos implicam que as políticas económicas são fraquíssimas. Se as políticas económicas são fraquíssimas implicam que os empresários regulados por essas políticas económicas são fraquíssimos, logo Gestores Públicos fraquíssimos implicam que os empresários privados sejam fraquíssimos.

A matemática tem destas coisas. Daqui se conclui que, o que Sua Excelência, o Senhor Ministro Santos Silva quis dizer foi que, os Gestores Públicos Portugueses são fraquíssimos. Ups! Será que até o Senhor Ministro Santos Silva já se apercebeu disto?

Como agir numa situação em que a entidade pública, responsável por toda a legislação que regulamenta uma atividade sectorial, não responde aos pedidos de esclarecimentos das empresas acerca dessa regulamentação? Como agir quando, num ato de renovação de um licenciamento de uma empresa que já labora à 5 ou 10 anos, esta é confrontada com exigências ilegais? Como agir quando uma empresa vê alterada uma plataforma de utilização obrigatória para o pedido de licenciamento da sua atividade, estando o seu pedido a decorrer, e quando dessa alteração arbitrária resulta um indeferimento que a coloca numa situação totalmente precária, em termos legais e comerciais? Como agir quando um Presidente da Autoridade Nacional de Resíduos, APA, assina uma carta a dizer que a plataforma LUA, que foi concebida para permitir renovações com alterações dos alvarás das empresas, é ilegal, porque a Lei não está a ser cumprida desde 2011? Como agir quando uma Entidade Gestora que recebe dinheiros públicos, ecotaxas pagas por todos, constitui uma empresa que entra em concorrência com todas as outras empresas de operações de gestão de resíduos do mercado nacional? Como agir quando os responsáveis pelas maiores ilegalidades praticadas nos licenciamentos das empresas são premiados com as renovações das suas comissões de serviço ou com outro tipo de nomeações? Como agir para que possamos obter certezas sobre o futuro dos nossos investimentos a longo prazo?

Senhor Ministro Santos Silva, V.Exa. não quer fazer um investimento de três ou quatro milhões de euros para abrir uma empresa de operações de gestão de resíduos pequenina (porque esta quantia de dinheiro não dá para mais) e ensinar-nos como manter uma empresa destas, fazê-la crescer e brilhar, neste contexto? Se conseguir fazê-lo, nós, não só agradecemos como o brindaremos com uma gestão altamente qualificada. É que, neste momento, não conseguimos ter confiança, nem tempo, para isso. Será culpa nossa?

Um abraço

 

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